Olá amigos amantes das duas rodas e do motociclismo!
Olá também aqueles que ainda não amam o motociclismo e não sabem o que estão perdendo. Isso mesmo: vocês estão perdendo.
Quando falo sobre perda, neste caso falo de uma série de histórias que existem sempre em torno de uma moto.
A minha por exemplo começou em meados de 1997, com meus 18 anos, quando desempregado, e já definido que eu iria prestar serviço militar obrigatório, precisava urgente trabalhar, pois havia perdido meu emprego em função de fim de contrato, e por motivos óbvios não podia ficar parado. Naquela época, minha cidade, Franca (SP), vivia momentos difíceis, com crise financeira em função do plano real, paridade com o dólar, exportações em baixa e etc, e não havia boa oferta por trabalho.
Foi quando literalmente no desespero, tentei uma oportunidade em vendas. Deu certo. Realizei uma entrevista, onde o fator principal era ter um veículo para visitar clientes e etc. Eu menti. Disse que tinha um. Surgia um novo problema: qual? Agora começa a parte que hoje acho engraçado, mas na época foi terrível. Eu e meu pai, tivemos a infeliz idéia de que eu pegasse para fazer as vendas em sua Caravan 1975 azul, motor 2.5, gasolina.
Não deu muito certo... o restinho do que tinha sobrado de meu acerto no trabalho anterior, mal durou para abastecer a Caravan apelidada por nós de trovão azul por dois dias. Decidi então ir para as vendas a pé. Não dava muito certo.
Acordava cedo, café da manhã tinha de ser reforçadíssimo, saia tentando vender, o almoço era uma coxinha, e só no final do dia eu voltava pra casa com meus poucos pedidos, bolhas nos pés e muito cansado. Surge uma mirabolante idéia em casa: “-Por que não uma moto usada?” Saímos a busca da então moto ideal, e foi quando eu e meu pai a achamos: uma CG 125 ano 1980, 4 marchas, cor prata, capa do banco rasgada, pneus meia vida, tinta queimada, mas “ela sorriu pra mim”, e nos entendemos.
A partir deste momento, eu ganhava um problema: de onde eu tiraria R$ 900,00 para comprar aquela moto, e ainda fazer seus documentos? Meu irmão tinha lá seus contatos na faculdade, com gerentes de bancos e etc, e conseguiu um empréstimo deste valor, onde me lembro perfeitamente: eu pagava (ou tentava) a ele R$ 50,00 por mês.
Aliás, acreditem, tive dificuldades em pagar esse valor a ele. De verdade. Enfim, comprei minha primeira moto. Meu primeiro veículo... Tentando resumir a história, e chegando então no porque do nome Cremogema, eu saí da empresa que eu estava, comecei a representar outra, e nesta nova empresa comecei a viajar a pequenas cidades da região de Franca, depois disso saí também desta empresa, veio o serviço militar, os dias que eu tinha dinheiro para colocar gasolina eu ia nela, os dias que não tinha eu ia a pé mesmo, e por falar nisso, uma história legal associando ela ao serviço militar: um dia, estava de plantão, e estava com a minha moto. Um sargento chegou em mim, e me perguntou se eu topava que eles colocassem gasolina no meu tanque, e que eu saísse para entregar os convites da visita de um coronel às autoridades de Franca.
É óbvio que aceitei, afinal, eu ia encher o tanque da minha moto, coisa que sabe Deus há quanto tempo não fazia. E, em virtude do meu feito, fui convidado para ser um batedor da viatura do coronel em sua chegada a Franca. Acreditem: batedor de uma viatura do exercito brasileiro, com uma CG 125, ano 1980, 4 marchas toda fulera. São muitas histórias legais.
Por fim, justificando o nome dado, nós sempre tivemos o costume de dar nomes aos nossos veículos em nossa turma. E um camarada desta turma, o Mosh, começou a chamar minha moto de Cremogema. Era Cremogema prá cá, Cremogema pra lá, e foi quando todos a estavam chamando assim.Na turma tinham RD 350, CBR 450, 7 Galo e etc. Mas tinha também a Cremogema lá, toda orgulhosa no meio.
Aos poucos fui reformando-a, polindo para-lamas, colocando retorvisores cromados, polindo setas, reformando pintura, aros, raios, motor e etc, deixando-a como na imagem.
Foram muitas histórias, muitas viagens na região, muitos platinados colados me largando na mão no meio do nada na rodovia, muitos socos no tanque (coitada, um dia perdí a paciência), capacete que voava longe, mas enfim, hoje tenho muita saudade.
Ela ficou assim, bonitona como na foto (que se não estou errado, foi tirada no ano de 2001 ou 2002), quando logo em seguida a vendi para um conhecido. Infelizmente, a última notícia que tive dela, foi quando a vi na rua, toda suja, sem setas, sem retrovisores e acreditem, com um ar de tristeza. Passados alguns dias, foi recolhida ao pátio por problemas na documentação, e desde então, nunca mais ví a Cremogema.
Quem viveu esta fase, e conheceu esta moto,bem como este meu amor por ela, com certeza ao ler este artigo vai sentir mesmo que pequeno um pouco de nostalgia, afinal, foram tantas histórias que a Cremogema estava no meio, e em uma fase de meus 18 aos 22/23 anos, que tornam estas histórias muito gostosas e que justificam assim meu amor pelas motos, meu amor pelo sentimento de liberdade, meu amor pelas duas rodas.
Desta forma, em homenagem a ela, hoje temos um grupo de colegas onde, alguns a conheceram, outros não, mas todos sabem suas histórias e decidiram adotar consigo o nome de "Cremogema do asfalto."
Bom dia Marcio, tive o prazer de te conhecer a algum tempo atras quando a empresa adquiriu as lojas Arno no RS, hoje sai e montei minha propria industria de interfaces para celular GSM e nextel. Achei seu site por acaso e me lembrei do seu nome. Sou amante das 2 rodas e sempre possui motos,Conversei muito o Artur ai do EC um bom tempo sobre as duvidas dele sobre motos, roupas capacetes.segue a lista de minhas filhas RD 350R ano 1992, CBR450 SR ano 1991, Yamaha Fazer 250 ano 2006, CG 150 ano 2006, kawasaki Ninja ZX-9R ano 2001.
ResponderExcluirMuito legal seu Blog, continue assim, Forte abraço. Vou te dar uma dica acesse o debatemotos.com e faça mais grandes amigos. Forte abraço Alex Menegol Mateus
Alex@unecom.ind.br